6/14/2007

RCTV cesó!

Chego aqui no blog um pouco atrasado para comentar o fechamento da RCTV, mas nunca é tarde para comentar um fato de tamanha proporção. Sinto-me obrigado também a pronunciar-me porque em pouco menos de 2 anos terei um diploma de jornalista e talvez estarei vos falando de um veículo oficial de imprensa neste futuro próximo. Infelizmente nossa imprensa mais uma vez tratou uma questão por si só polêmica e complexa, superficialmente. Agora figura no inconsciente coletivo brasileiro o ditador Chavéz, ridicularizado em impressos e reportagens televisivas, sem nenhuma chance de réplica ou direito de resposta diga-se de passagem. Não estou defendendo o presidente venezuelano nem sua atitude e sim questionando a notícia imparcial e isenta, que deforma não uma realidade (pois a realidade é plural), mas destoa de seu contexto. Pouco sabemos da história de nosso vizinho e a história política de um país é bastante importante para compreender o hoje. Os que acusam Chavéz de ditador não sabem, por exemplo, que ele se elegeu duas vezes por eleições diretas e que não renovar concessões de Tvs está previsto na Constituição venezuelana. Ainda assim fica latente a discussão da liberdade de imprensa. E nessa discussão eu realmente não posso dar uma opinião, porque há duas versões desse episódio. A RCTV foi acusada do golpe que tirou Chavéz do poder por um curto período de tempo. Francamente não sei como isso é possível, mas temos que refletir sobre uma questão: a imprensa pode e deve ser livre e combativa, a imprensa pode até ser de oposição, mas será que ela pode funcionar como uma extensão de um partido ou bandeira política? Já pensaram cada canal de TV na sua casa representando um partido aqui no Brasil? Isso é, no meu entender, o mais grave em questão.

5 comentários:

Israel Ozanam disse...

Gostei do seu texto, vou até recomendá-lo nas próximas postagens lá no blog. A superficialidade e a argumentação tendenciosa (como "cassou a concessão", que dá a impressão de interrupção, quando na verdade a concessão expirou) são de praxe na imprensa brasileira. Se Chávez foi eleito pelas urnas e a emissora tentou derrubá-lo em um golpe de estado, realmente seria o caso de rever a concessão, já que isso está previsto na lei. Bem, esse é um lado da moeda. Todavia, achas que Chávez está preocupado em ser democrático e seguir a legislação e por isso resolveu não renovar a concessão de uma emissora que foi de encontro ao governo do povo? Creio que "cada canal de TV na sua casa representando um partido aqui no Brasil" nem seria o mais grave da questão, e sim a possibilidade do contrário, de ter todos os canais de TV da sua casa representando apenas um partido. Imprensa isenta é utopia, então vamos lutar, pelo menos, contra a imprensa totalitária.

Anônimo disse...

1 ] Bem frisado. Não acredito que Chavéz tenha feito isso em nome do cumprimento da lei e sim em nome de seus interesses políticos. Usando, claro, o que a lei lhe permitia no momento.

Até aí tudo bem. Vamos ver até onde ele governará dentro do lhe é permitido no que se entende por regime democrático.

2] O mito da imprensa imparcial e insenta brasileira é algo que vai além do subentendido pela população. Esse discurso está de vez enquanto nos editoriais dos jornais, nos comentários dos apresentadores de TV... Ou seja, está explicito apesar de uma das primeiras aulas de jornalismo que eu tive ter esclarecido justo o contrário.

Além dessa questão há também o fato de milhares de empresas de comunicação pertecerem a políticos, seja no interior ou nas metrópoles urbanas do Brasil. E pertença ou não a um político não defendo que as empresas de comunicação sejam vínculos entre partido e povo. Defendo sim, uma linha editorial mais esclarecida politicamente. Aliás, seria ótimo se tivessemos emissoras e jornais mais plurais nesse sentido, porque o que se percebe é que cada vez mais a versão do mundo é uma só. Estranho. Muito estranho.

Israel Ozanam disse...

Exato. Isso me lembra uma situação curiosa comentada por um amigo meu da faculdade. Ele disse que, certa vez, enquanto assistia ao jornal com alguns parentes, contestou determinada informação veiculada e imediatamente foi rechaçado com uma firmação mais ou menos deste tipo: "Não é assim? Como não é assim? Não estás vendo a televisão dizendo aí, não?" Essa convicção está muito relacionada com a idéia de seriedade. Se, como falaste, qualquer profissional da comunicação já toma conhecimento desde cedo de que a proposta de isenção é uma piada e os meios de comunicação continuam apostando nisso claramente é por pura má-fé, aproveitando-se da ausência de uma leitura crítica das informações por parte dos receptores.

Ah, esqueci de dizer no comentário anterior, eu tenho o documentário. Inclusive acredito que vais gostar dele.

Luc disse...

muito bom o texto, é realmente algo pra ficar pensando!
detalhe que os jornalistas fazem questão de frizar q são 'imparciais e independentes'. uma ova! ;P
falow!

Luc disse...

ou seria frisar? ;\ ;D