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Uma maior solidãoLentamente se aproximaDo meu triste coração
Enevoa-se-me o serComo um olhar a cegar,A cegar, a escurecer.Jazo-me sem nexo, ou fim...Tanto nada quis de nada,Que hoje nada o quer de mim.
No filme "The Clement Garden", a personagem da atriz Charlotte Gainsbourg tem um caso com o próprio irmão. Numa determinada cena há um dos diálogos mais geniais do filme. Ela diz pro irmão:
"Garotas podem usar jeans, cortar os cabelos curtos, usar camisas e botas porque é legal ser um garoto. Mas para um garoto se parecer com uma garota é degradante. Você acha que ser uma garota é degradante, mas secretamente você adoraria saber como é. Não adoraria? Saber como se sente uma garota?"
Eu acredito que esse diálogo provoca vários debates. Machismo seria um deles. Outro debate que poderíamos fazer surgir seria os dos movimentos atuais da sexualidade nesta pós-modernidade. Nas ruas, há garotas cada vez mais masculinas e garotos cada vez mais femininos, visualmente falando. O descentramento do sujeito e de sua identidade em todas as instâncias gera ao mesmo tempo uma crise e um agrupamento. É o que Maffesoli chama de tribos urbanas. Posso citar várias: punks, hippies, emos, clubber... Querendo ou não, por mais que eu não me agrupe em uma tribo (e nem queira isso), eu estou inserido nesta crise da identidade que assola o século XXI. Vivo essa fragmentação com alguma consciência, o que já ajuda.