
Escrevo numa segunda-feira clara e fria. O Lítio não me deixa em paz. Os tremores de minha mão diante deste teclado me irritam facilmente. O Lítio me salvou e eu vivo querendo deixá-lo. Devo deixá-lo? Se escrevo para ti agora é para espantar a solidão e meus pensamentos dessa tarde de segunda-feira.
Hoje assumi em público a minha doença. Estou mais leve, mais livre. Mas ainda tenho muitos medos. Medo de voar, de amar, morrer, ser feliz... Os medos ainda persistem mesmo com os remédios. Vi e escutei vozes essa madrugada. Como você vê, vivo contando as minhas desgraças. Eu devia parar? Talvez comprar uma fazenda e ter filhos seja uma maneira de ficar para sempre na terra. Porque essas cartas, as cartas-bombas Lucas, elas se rasgam facilmente.
Com carinho,
Aluizio

2 comentários:
Bom que tenhas assumido, ficarás mais livre quando deixares de guardar tudo o que te incomodas em fazê-lo. Mas deixarei de indiscrição e pararei de comentar uma carta que não é para mim. rsrs
sobre medos.. todos têm os seus medos... a questão é saber lidar com eles. \o/
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